A mentira que ajuda

Minha vida profissional como designer gráfico se iniciou de forma despretensiosa: certa vez um professor me perguntou se eu estava a fim de começar em um estágio ali mesmo, na minha universidade, para fazer um jornalzinho institucional de circulação interna.

Eu disse que sim.

Você entende de diagramação?

Eu disse que sim.

Beleza. Então, depois de amanhã, você aparece na sala tal, pela manhã, pra que a gente possa começar esse projeto, ok?

Ok.

Apareci no mesmo dia. Não na tal da sala, mas na Biblioteca Nacional, no centro do Rio. Fui pra lá pesquisar e estudar sobre diagramação, coisa que eu não fazia a menor ideia do que era e nem pra que servia.

Pode parecer impensável para você, mas era uma época em que não havia google, wikipedia e afins. Aliás, nem existia internet. De modo que ler em livros de papel não era uma questão de opção.

Mas a moral da história aqui é que, sem querer, pus em prática um dos provérbios que o general chinês Sun Tzu teria dito em sua Arte da Guerra:

Concentre-se nos pontos fortes (“apareci no mesmo dia”),
reconheça as fraquezas (“eu não fazia a menor ideia do que era e pra que servia.”),
agarre as oportunidades (“Eu disse que sim.”) e
proteja-se contra as ameaças (Fui pra lá pesquisar e estudar).

Acho que o general teria dado um sorriso de aprovação.

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